Dia 21 de fevereiro comemora-se o Dia Nacional do Imigrante Italiano.
Os italianos imigraram basicamente por motivos econômicos e socioculturais, depois de um longo período de mais de 20 anos de lutas para a unificação do país. Sua população, particularmente a rural e mais pobre, tinha dificuldade de sobreviver tanto nas pequenas propriedades que possuía ou onde trabalhava, quanto nas cidades, para onde se deslocava em busca de trabalho. 

Nessas condições, portanto, a emigração era não só estimulada pelo governo, mas era também uma solução de sobrevivência para as famílias. Assim, é possível entender a saída de cerca de 7 milhões de italianos no período compreendido entre 1860 e 1920. 

Os italianos começaram a chegar no Brasil em 1870, devido ao grande estímulo do governo, principalmente quando o tráfico de escravos foi abolido no Brasil. Os italianos chegaram inicialmente à região sul, onde instalavam-se colônias de imigrantes. Em meados do século XIX, o governo brasileiro criou as primeiras colônias, fundadas em áreas rurais como a Serra Gaúcha, Garibaldi e Bento Gonçalves (1875). Estes italianos eram, na maioria, da região do Vêneto, norte da Itália. 

Após alguns anos, devido ao grande número de imigrantes, o governo criou uma nova colônia italiana em Caxias do Sul. Nestas regiões os italianos começaram a cultivar a uva e a produzir vinhos. Atualmente, estas áreas de colonização italiana produzem os melhores vinhos do Brasil. 

Ainda em 1875, foram fundadas as primeiras colônias catarinenses em Criciúma e Urussanga e, em seguida, as primeiras do Estado do Paraná. Apesar da região sul ter recebido os primeiros italianos, foi a região sudeste que recebeu o maior número de imigrantes oriundos da Itália. Isto se deve ao processo de expansão das fazendas de café, no Estado de São Paulo. Os italianos começaram a expandir-se por Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. 

A maioria absoluta teve como destino inicial o campo e o trabalho agrícola. Muitos, após trabalhar anos colhendo café, conseguiram juntar dinheiro suficiente para comprar suas próprias terras e tornaram-se fazendeiros, outros partiram para os grandes centros urbanos (como São Paulo), pois as condições de trabalho no campo eram péssimas. 

Alguns italianos chegaram ao Brasil dispostos a criar pequenas empresas e prosperar na nova terra. Vendiam o que tinham na Itália e investiam no Brasil em áreas como a agricultura, comércio, prestação de serviços e indústria. Muitos destes italianos empreendedores prosperaram em seus negócios, gerando riquezas e empregos no Brasil. Francesco Matarazzo e seus irmãos, que emigraram para o Brasil em 1881 e construíram em São Paulo um verdadeiro império industrial.

Fonte: italianos chegando de navio ao Brasil em 1907 (Acervo do Memorial do Imigrante)

Os italianos que foram viver no Brasil levaram na bagagem muitas características culturais que foram incorporadas à cultura brasileira, estando presentes até os dias de hoje. Dentre as inúmeras contribuições italianas à cultura brasileira podemos citar novas técnicas agrícolas, o uso do “tchau” (ciao) em todo o Brasil, pratos que foram incorporados, como pizza, espaguete (spaghetti) e o hábito de comer panetone (panettone) no Natal, o enraizamento do catolicismo, incorporando elementos italianos na religião brasileira, etc. 

As contínuas notícias das péssimas condições de trabalho e moradia de famílias italianas residentes no Brasil, de trabalho semiescravo e condições indignas nas fazendas de café foram divulgadas pela imprensa italiana, fazendo com que diminuísse drasticamente a vinda de italianos para o Brasil e fizeram com que os italianos preferissem destinos como a Argentina e os Estados Unidos. 

A imigração italiana no Brasil continuou até a década de 20, quando o ditador Bento Mussolini, com seu governo nacionalista, começou a controlar a imigração italiana. A chegada de italianos ao Brasil entrou em decadência na Segunda Guerra Mundial, com a contínua recuperação da economia italiana.

De acordo com dados estimados da Embaixada da Itália no Brasil, vivem no Brasil cerca de aproximadamente 30 milhões de descendentes de italianos, a grande parte está concentrada nas regiões sul e sudeste.

Links Sugeridos:

– Arquivo Público do Estado de São Paulo Memorial do Imigrante
– Memorial do Imigrante

Fonte: DIEGUES JR, Manuel. Imigração, Urbanização, Industrialização. Rio de Janeiro: Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, 1964. BIGAZZI, Anna Rosa Campagnano. Italianos: história e memória de uma comunidade. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006.


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Vivian Scarazzati e Bruno Marcellino

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